Como Funciona a Hierarquia das Leis no Brasil: níveis normativos, Constituição e controle de validade

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Abstract

A hierarquia das leis no Brasil organiza o sistema jurídico em níveis normativos, garantindo coerência, segurança jurídica e supremacia constitucional. Nesse modelo, normas inferiores devem respeitar as superiores, sob pena de invalidação. Este artigo apresenta, de forma técnica e didática, como funciona a hierarquia das leis no ordenamento brasileiro, explicando a pirâmide normativa, o papel da Constituição, os tipos de normas, o controle de constitucionalidade e os entendimentos consolidados dos tribunais.


1. O que é hierarquia das leis

A hierarquia das leis é o critério que estabelece ordem de prevalência entre as normas jurídicas. Em termos simples:

👉 normas superiores prevalecem sobre normas inferiores
👉 nenhuma lei pode contrariar a Constituição

Esse sistema evita conflitos normativos e assegura unidade ao Direito.

A lógica hierárquica decorre do princípio da supremacia constitucional, segundo o qual toda norma deve estar em conformidade com a Constituição Federal de 1988.


2. A pirâmide normativa no Brasil

A organização das normas costuma ser explicada pela chamada pirâmide normativa, inspirada em Hans Kelsen, na qual as normas se distribuem em níveis.

No Brasil, essa hierarquia pode ser resumida assim:

🔹 1º nível — Constituição Federal

Base de todo o sistema jurídico. Nenhuma norma pode contrariá-la.


🔹 2º nível — Emendas Constitucionais

Alteram o texto constitucional, desde que respeitem as cláusulas pétreas.


🔹 3º nível — Leis complementares

Regulam matérias que a Constituição exige tratamento especial.


🔹 4º nível — Leis ordinárias e leis delegadas

Disciplinam a maioria dos temas do cotidiano jurídico.


🔹 5º nível — Medidas provisórias

Atos do Poder Executivo com força de lei, em situações de relevância e urgência.


🔹 6º nível — Decretos e regulamentos

Normas administrativas destinadas a executar a lei, sem inovar na ordem jurídica.


🔹 7º nível — Atos infralegais

Portarias, resoluções, instruções normativas etc.

📌 Quanto mais baixo o nível, maior deve ser a fidelidade às normas superiores.


3. A Constituição como fundamento de validade

Todas as normas retiram sua validade da Constituição.

Isso significa que:

  • leis contrárias à Constituição são inválidas
  • atos administrativos incompatíveis com a lei também são inválidos

Esse encadeamento garante que o sistema funcione como um todo coerente.


4. Leis complementares x leis ordinárias

Embora ambas estejam abaixo da Constituição, há diferenças importantes:

Lei complementar

  • exige maioria absoluta
  • trata de matérias específicas previstas na Constituição

Lei ordinária

  • exige maioria simples
  • regula matérias gerais

📌 Uma lei ordinária não pode revogar nem contrariar uma lei complementar.


5. Onde entram os códigos (civil, penal, processual)

Códigos como o Código Civil ou o Código de Processo Civil são, tecnicamente, leis ordinárias.

Apesar de sua importância prática, não estão acima de outras leis ordinárias — o que prevalece é:

  • hierarquia
  • especialidade
  • cronologia

conforme o caso.


6. Controle de constitucionalidade

Quando uma norma viola a Constituição, pode ser afastada por meio do controle de constitucionalidade, que pode ser:

✔ Difuso

Realizado por qualquer juiz ou tribunal, em casos concretos.

✔ Concentrado

Realizado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal, por meio de ações como ADI e ADC.

Esse mecanismo preserva a supremacia da Constituição.


7. Papel dos tribunais superiores

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, responsável por decidir questões constitucionais.

Já o Superior Tribunal de Justiça uniformiza a interpretação da legislação federal infraconstitucional.

Juntos, garantem:

  • coerência do sistema jurídico
  • respeito à hierarquia normativa
  • estabilidade das decisões

8. Exemplo prático

Imagine que um decreto municipal autorize algo proibido por lei federal.

Resultado:

👉 o decreto é inválido, pois norma inferior não pode contrariar norma superior.

Se a própria lei federal contrariar a Constituição:

👉 a lei pode ser declarada inconstitucional.


9. Por que a hierarquia das leis é tão importante

Ela é fundamental para:

Sem hierarquia normativa, haveria caos legislativo.


10. Conclusão

A hierarquia das leis no Brasil organiza o sistema jurídico em níveis, colocando a Constituição no topo e exigindo que todas as demais normas estejam em conformidade com ela. Esse modelo assegura unidade, estabilidade e proteção aos direitos fundamentais, sendo indispensável ao funcionamento do Estado Democrático de Direito.

Em síntese: a Constituição manda, as demais normas obedecem — e os tribunais garantem esse equilíbrio.


Referências

BRASIL. Constituição Federal de 1988.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm


BRASIL. Código de Processo Civil.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm


BRASIL. Supremo Tribunal Federal.
https://www.stf.jus.br


BRASIL. Superior Tribunal de Justiça.
https://www.stj.jus.br


BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas.

Autor

  • Dr Roberto V. Villela Nunes

    Dr. Roberto V. Villela Nunes é advogado com mais de 30 anos de experiência, atuando nas áreas Cível, Trabalhista, Previdenciária. Ex-professor universitário de Prática Jurídica, especialista em diversas áreas do Direito e idealizador do OpinionJus.

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