Dano Moral: Quando a Justiça Realmente Concede Indenização (O Que Dá Direito e O Que NÃO Dá)

Views: 5


🔎 Introdução — Nem Tudo é Dano Moral (E Isso Muda Tudo)

Durante muitos anos, criou-se no Brasil a ideia de que “qualquer aborrecimento gera dano moral”.
Isso não é verdade — e os tribunais vêm sendo cada vez mais rigorosos.

👉 Hoje, a Justiça só concede indenização por dano moral quando há violação real à dignidade, honra, imagem, liberdade, saúde, tranquilidade psíquica ou vida privada da pessoa.

Este artigo vai mostrar, de forma clara e objetiva:

  • Quando o dano moral é reconhecido
  • Quando ele é negado
  • Quais situações realmente geram indenização
  • Valores praticados na Justiça
  • O que provar
  • E por que muitos processos são perdidos

Se você já pensou em entrar com ação por dano moral — este guia é essencial.


⚖️ O Que é Dano Moral, Segundo a Justiça?

Dano moral é o prejuízo de natureza não patrimonial, que atinge:

  • a dignidade da pessoa humana
  • a honra (objetiva ou subjetiva)
  • a imagem
  • a intimidade
  • a vida privada
  • a saúde emocional
  • a tranquilidade

📌 Base legal:

  • Constituição Federal, art. 5º, V e X
  • Código Civil, arts. 186 e 927

Não basta incômodo.
É preciso haver lesão relevante a direitos da personalidade.


🧠 A Nova Regra dos Tribunais: “Mero Aborrecimento Não Indeniza”

O STJ consolidou entendimento de que:

“Situações cotidianas, contratempos normais da vida moderna, não configuram dano moral.”

Isso significa que nem todo erro, atraso ou falha gera indenização.

📉 Muitos processos são perdidos exatamente por isso.


✅ Quando a Justiça REALMENTE Concede Dano Moral

Agora vamos ao que interessa.

🟢 1. Negativação Indevida (Nome Sujo Sem Dívida)

Esse é um dos casos mais fortes.

📌 Exemplo:

  • dívida inexistente
  • dívida já paga
  • fraude
  • erro do banco ou empresa

👉 O dano moral é presumido, não precisa provar sofrimento.

💰 Valores médios:

  • R$ 5.000 a R$ 15.000
  • podendo chegar a R$ 30.000 em casos graves

🟢 2. Fraude Bancária e Financeira

Exemplos:

  • empréstimo não contratado
  • PIX fraudulento
  • cartão clonado
  • conta invadida

📌 A Justiça entende que o banco assume o risco da atividade.

💰 Indenizações comuns:

  • R$ 4.000 a R$ 20.000
  • devolução dos valores perdidos


🟢 3. Negativa Indevida de Plano de Saúde

Quando o plano:

  • nega cirurgia urgente
  • nega medicamento essencial
  • interrompe tratamento

👉 Aqui o dano moral é quase automático, especialmente em casos de risco à saúde.

💰 Valores frequentes:

  • R$ 8.000 a R$ 40.000
  • podendo ser maiores em casos graves

🟢 4. Erro Médico ou Hospitalar

Quando há:

  • falha comprovada
  • agravamento do quadro
  • sofrimento evitável

💰 Indenizações variam muito:

  • R$ 15.000
  • R$ 50.000
  • R$ 100.000 ou mais, conforme o caso

🟢 5. Cancelamento Indevido de Benefício do INSS

Situações como:

  • cessação sem perícia
  • erro administrativo
  • suspensão injustificada

👉 Os tribunais têm reconhecido dano moral quando o segurado fica sem renda injustamente.

💰 Valores comuns:

  • R$ 3.000 a R$ 10.000

🟢 6. Exposição Pública, Humilhação ou Ofensa

Exemplos:

  • acusações falsas
  • xingamentos públicos
  • exposição em redes sociais
  • tratamento vexatório em loja ou empresa

📌 Aqui o dano é claro, direto e indenizável.


🟢 7. Prisão Indevida ou Abordagem Abusiva

Casos de:

  • prisão ilegal
  • abordagem policial abusiva
  • erro do Estado

💰 Indenizações costumam ser mais elevadas:

  • R$ 20.000 a R$ 100.000+


❌ Quando a Justiça NÃO Concede Dano Moral

Aqui está o erro de muita gente.

🔴 1. Atraso pequeno em serviço ou entrega

📌 Exemplo:

  • atraso de alguns dias em entrega de produto

👉 Normalmente entendido como mero aborrecimento.


🔴 2. Atendimento ruim, mas sem humilhação

Ser mal atendido, sozinho, não gera indenização.


🔴 3. Descumprimento contratual simples

Sem prova de abalo à dignidade → sem dano moral.


🔴 4. Cobrança educada de dívida existente

Se a dívida existe e a cobrança é regular, não há dano.


🧾 O Que Precisa Provar para Ganhar Dano Moral

Mesmo quando o dano é evidente, provas ajudam muito.

📌 Provas importantes:

  • documentos
  • prints
  • gravações
  • testemunhas
  • laudos
  • protocolos de atendimento
  • notificações

👉 Em alguns casos (como negativação indevida), o dano é presumido.
👉 Em outros, provar o impacto faz toda a diferença.


💰 Como o Juiz Calcula o Valor da Indenização?

O juiz analisa:

  • gravidade do dano
  • duração do sofrimento
  • condição da vítima
  • capacidade econômica do réu
  • efeito pedagógico da condenação

📌 Não existe tabela fixa.
📌 Cada caso é individual.


🧩 Dano Moral: Quando a Justiça Concede

✔️ Nome negativado indevidamente
✔️ Fraude bancária
✔️ Negativa de plano de saúde
✔️ Exposição pública
✔️ Erro médico
❌ Mero aborrecimento
❌ Atraso pequeno
❌ Atendimento ruim isolado


🧩 Perguntas …

Problema ocorrido

Violou dignidade / honra / saúde?

Gerou sofrimento relevante?

Há prova ou dano presumido?

👉 Cabe indenização por dano moral


⚠️ Erro Fatal Que Faz Pessoas Perderem Ação

O maior erro é pedir dano moral para tudo.

Isso:

  • enfraquece a ação
  • tira credibilidade
  • pode gerar improcedência total

👉 A estratégia correta é selecionar bem os casos.


🏛️ Jurisprudência Atual (Resumo)

📌 STJ:

“O dano moral exige violação significativa aos direitos da personalidade, não bastando dissabor cotidiano.”

📌 TJs estaduais:

  • Crescente rigor
  • Indenizações mais técnicas
  • Menos “dano moral automático”


🎯 Conclusão — Dano Moral Existe, Mas Não é Para Tudo

A Justiça concede indenização, sim — e muitas vezes em valores relevantes.
Mas apenas quando há lesão real, prova adequada e fundamento jurídico sólido.

📌 Quem entende isso:

  • evita processos perdidos
  • entra com ações mais fortes
  • tem muito mais chances de sucesso

Autor

  • Dr Roberto V. Villela Nunes

    Dr. Roberto V. Villela Nunes é advogado com mais de 30 anos de experiência, atuando nas áreas Cível, Trabalhista, Previdenciária. Ex-professor universitário de Prática Jurídica, especialista em diversas áreas do Direito e idealizador do OpinionJus.

Facebook Comments

Deixe um comentário