DANOS MORAIS: QUANDO REALMENTE EXISTE DIREITO À INDENIZAÇÃO E COMO OS TRIBUNAIS DECIDEM HOJE

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O tema “danos morais” é um dos mais comentados do Direito Civil brasileiro. Contudo, ainda existe grande confusão sobre quando a pessoa realmente tem direito à indenização e quais situações os tribunais entendem como dano real — e não mero aborrecimento cotidiano.


1. O que são danos morais?

Dano moral é a violação da dignidade de uma pessoa, atingindo sua honra, imagem, psique, privacidade ou integridade emocional. Não é necessário provar prejuízo financeiro, mas é necessário demonstrar sofrimento real, concreto e juridicamente relevante.


2. Quando não existe dano moral?

Os tribunais têm deixado claro que meras chateações do dia a dia não geram indenização. Exemplos de situações que normalmente não caracterizam dano moral:

  • pequenos atrasos em atendimentos;
  • problemas rotineiros de consumo resolvidos rapidamente;
  • divergências contratuais sem humilhação ou exposição.

Essa distinção é essencial: existe diferença entre irritação e violação de direitos da personalidade.


3. Situações que geram direito à indenização

✔ Exposição pública indevida

Divulgação de fotos, dados pessoais ou informações sigilosas.


✔ Negativação indevida do nome

É uma das maiores causas de ações no Brasil e quase sempre gera dano moral presumido.


✔ Erros médicos ou falhas graves na prestação de serviço de saúde

Quando há negligência, imprudência ou omissão, especialmente com consequências físicas ou psicológicas.


✔ Agressões físicas ou verbais

Inclui ofensas em ambientes de trabalho, redes sociais, escolas e condomínios.


✔ Falhas severas em serviços essenciais

  • cortes indevidos de energia
  • suspensão injustificada de água
  • cancelamento de voo sem assistência adequada
  • perda de bagagem

✔ Assédio moral

Prática repetitiva e destrutiva que humilha, diminui e constrange.


4. Como os juízes calculam o valor da indenização?

Não existe tabela fixa, mas os magistrados levam em conta:

  • gravidade do dano
  • capacidade econômica do ofensor
  • impacto na vida da vítima
  • repetição da conduta
  • proporcionalidade e razoabilidade

Em casos graves, a indenização pode ultrapassar valores muito expressivos, especialmente em grandes empresas ou instituições financeiras.


5. Como comprovar o dano moral

As provas mais comuns são:

  • prints de conversas
  • gravações
  • testemunhas
  • documentos
  • relatórios médicos ou psicológicos
  • registros de atendimento de empresas

Quanto maior o conjunto probatório, maior a chance de procedência.


6. Ação judicial: como funciona

O pedido pode ser feito no:

  • Juizado Especial Cível (até 20 salários mínimos sem advogado);
  • Justiça Comum, para casos maiores ou mais complexos.

A indenização pode incluir:

  • dano moral;
  • dano material;
  • dano estético;
  • lucros cessantes.

Conclusão

O dano moral é uma ferramenta essencial para proteger a dignidade humana. Porém, só é reconhecido quando há violação concreta, grave e comprovável dos direitos da personalidade. Entender essa linha tênue é fundamental para quem quer agir com segurança jurídica.

Autor

  • Dr Roberto V. Villela Nunes

    Dr. Roberto V. Villela Nunes é advogado com mais de 30 anos de experiência, atuando nas áreas Cível, Trabalhista, Previdenciária. Ex-professor universitário de Prática Jurídica, especialista em diversas áreas do Direito e idealizador do OpinionJus.

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