🔒 Bloqueio Judicial via SISBAJUD: Como Liberar a Conta, Evitar Abusos e Proteger Seu Dinheiro

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(Guia Completo, Atualizado e Explicativo)


📌 Introdução — O susto que milhões de brasileiros estão vivendo

Imagine acordar, tentar pagar uma conta, fazer um PIX ou sacar dinheiro e descobrir que sua conta bancária está bloqueada por ordem judicial.
Sem aviso, sem explicação imediata, sem acesso ao próprio dinheiro.

Isso tem se tornado cada vez mais comum com o uso do SISBAJUD, o sistema que permite ao Judiciário bloquear valores diretamente nas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.

👉 Mas o que pouca gente sabe é que nem todo bloqueio é legal, nem todo valor pode ser bloqueado, e há várias formas de reverter ou limitar esse bloqueio.

Este artigo explica tudo, de forma clara e prática.


⚖️ O que é o SISBAJUD?

O SISBAJUD (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário) substituiu o antigo BacenJud e é uma ferramenta que permite ao juiz:

  • bloquear valores em contas bancárias
  • transferir valores para conta judicial
  • acessar informações financeiras do devedor
  • repetir bloqueios automaticamente (“teimosinha”)

📌 Ele é usado principalmente em:

  • execuções cíveis
  • execuções fiscais
  • cobranças bancárias
  • dívidas trabalhistas
  • pensão alimentícia

🧩 Como funciona o SISBAJUD

Dívida judicial
      ↓
Ordem do juiz
      ↓
SISBAJUD envia ordem aos bancos
      ↓
Banco bloqueia valores
      ↓
Devedor fica sem acesso ao dinheiro

🚨 Quando o bloqueio judicial é permitido?

O bloqueio é permitido quando:

✔ existe um processo judicial válido
✔ a dívida é líquida e exigível
✔ o devedor foi citado no processo
✔ não houve pagamento voluntário
✔ o juiz determina a constrição patrimonial

📌 Em regra, o bloqueio é uma medida extrema, usada quando outras tentativas de cobrança falharam.


❌ Quando o bloqueio é ilegal ou abusivo?

Muitos bloqueios feitos via SISBAJUD são ilegais ou excessivos. Veja os principais casos:

🔴 1. Bloqueio de salário ou aposentadoria

Salário, aposentadoria, pensão e benefícios do INSS são impenhoráveis, salvo exceções muito específicas (como pensão alimentícia).

📚 Base legal:
➡️ Art. 833, IV, do Código de Processo Civil


🔴 2. Bloqueio de valores abaixo do mínimo existencial

A Justiça reconhece que o devedor precisa de um valor mínimo para sobreviver.

Bloquear todo o dinheiro da conta pode violar:


🔴 3. Bloqueio superior ao valor da dívida

É comum o sistema bloquear mais dinheiro do que o devido, especialmente quando há várias contas.

👉 Isso é ilegal e deve ser corrigido imediatamente.


🔴 4. Bloqueio de conta de terceiros

Contas conjuntas, contas de familiares ou valores que não pertencem ao devedor não podem ser bloqueados automaticamente.


🔴 5. Bloqueio sem citação válida

Se o devedor não foi citado corretamente no processo, o bloqueio pode ser anulado.


🧠 Tipos de valores que NÃO podem ser bloqueados

📌 Impenhoráveis por lei:

  • salário
  • aposentadoria
  • pensão
  • auxílio-doença
  • BPC/LOAS
  • seguro-desemprego
  • valores de natureza alimentar
  • poupança até 40 salários mínimos (em regra)

🧩 Valores protegidos

🚫 NÃO PODE BLOQUEAR
✔ Salário
✔ Aposentadoria
✔ Benefícios do INSS
✔ Pensão
✔ Seguro-desemprego
✔ Auxílio assistencial

🔓 Como liberar conta bloqueada pelo SISBAJUD (Passo a Passo)

🥇 1. Descobrir a origem do bloqueio

Verifique:

  • número do processo
  • vara judicial
  • tipo de ação
  • valor bloqueado

Isso pode ser feito:

  • pelo banco
  • pelo advogado
  • pelo site do tribunal

🥈 2. Comprovar a origem do dinheiro

É essencial provar que os valores são:

  • salário
  • aposentadoria
  • benefício previdenciário

📄 Documentos úteis:

  • extratos bancários
  • contracheques
  • carta de concessão do INSS
  • comprovantes de depósito


🥉 3. Peticionar pedindo desbloqueio

O advogado deve apresentar um pedido de desbloqueio, com base no CPC e na jurisprudência.

👉 Muitos desbloqueios são concedidos em poucos dias, quando bem fundamentados.


🏆 4. Pedido de limitação do bloqueio

Mesmo que parte do bloqueio seja válida, é possível pedir:

  • redução do valor
  • liberação parcial
  • preservação do mínimo existencial

💼 E quando a conta da empresa é bloqueada?

Empresas também sofrem bloqueios frequentes via SISBAJUD.

⚠️ Atenção:

  • bloqueio integral pode inviabilizar a atividade
  • salários de funcionários não podem ser comprometidos
  • proteção ao capital de giro mínimo

📌 O juiz pode:
✔ liberar parte dos valores
✔ permitir parcelamento
✔ suspender bloqueios automáticos


🏦 Bloqueio automático (“teimosinha”): o que é?

O SISBAJUD permite que o juiz programe bloqueios repetidos, até localizar valores.

👉 Isso é legal, mas:

  • deve respeitar limites
  • não pode atingir valores protegidos
  • não pode ser desproporcional

Bloqueios reiterados e abusivos podem ser questionados judicialmente.


💰 Posso ser indenizado por bloqueio judicial indevido?

👉 Sim, em alguns casos.

Quando o bloqueio:

  • é claramente ilegal
  • causa prejuízo grave
  • atinge salário ou benefício
  • ocorre por erro do sistema ou do credor

Pode haver:
✔ indenização por dano moral
✔ indenização por dano material

📚 Há decisões condenando credores e até o Estado em situações extremas.


🧩 Quando cabe indenização?

❗ BLOQUEIO INDEVIDO
↓
Prejuízo comprovado
↓
Violação de direito básico
↓
Possível indenização

🛑 Como evitar novos bloqueios no futuro?

✔ acompanhar processos em seu nome
✔ negociar a dívida
✔ pedir parcelamento judicial
✔ informar corretamente a origem dos valores
✔ manter conta exclusiva para salário/benefício
✔ orientação jurídica preventiva


📌 Conclusão — Bloqueio não é sentença final

O bloqueio via SISBAJUD não significa que você perdeu o direito sobre seu dinheiro.

📌 A lei protege:

  • a dignidade
  • a subsistência
  • o mínimo existencial

👉 Muitos bloqueios são revertidos rapidamente, quando o devedor sabe como agir.

Se você teve a conta bloqueada:

  • não ignore
  • não desespere
  • busque orientação e aja rápido

Autor

  • Dr Roberto V. Villela Nunes

    Dr. Roberto V. Villela Nunes é advogado com mais de 30 anos de experiência, atuando nas áreas Cível, Trabalhista, Previdenciária. Ex-professor universitário de Prática Jurídica, especialista em diversas áreas do Direito e idealizador do OpinionJus.

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